Conteúdo SPLIT PAYMENT: A REVOLUÇÃO NA ARRECADAÇÃO E A GARANTIA DO CRÉDITO ELETRÔNICO ▼
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A Reforma Tributária brasileira introduz o Split Payment (pagamento repartido), um mecanismo tecnológico que promete extinguir a sonegação e, simultaneamente, resolver um dos maiores problemas do sistema atual: a dificuldade de apropriação de créditos tributários.
1. O que é o Split Payment ?
O split payment é um método de arrecadação automática que ocorre no momento da liquidação financeira da transação. Em termos simples: quando um comprador paga uma fatura, o sistema bancário identifica o que é valor do produto/serviço e o que é imposto (IBS e CBS).
O valor do tributo é enviado diretamente para a conta do Comitê Gestor/União.
O valor líquido é entregue ao fornecedor.
2. Como funciona a mecânica operacional ?
A operacionalização depende da integração entre o documento fiscal (NF-e) e o meio de pagamento (Pix, boleto, cartão, transferência).
Emissão da Nota: O fornecedor emite a NF-e informando o valor do IBS/CBS.
Geração do Meio de Pagamento: O documento de pagamento (ex: um QR Code do Pix) está vinculado àquela nota fiscal específica.
Segregação Bancária: No momento em que o comprador efetua o pagamento, a instituição financeira, instruída pelo sistema do Banco Central e do Comitê Gestor, realiza a divisão instantânea dos valores.
3. A Vantagem Estratégica: O Crédito Instantâneo.
Para as empresas adquirentes, o split payment é a forma mais segura de garantir o direito ao crédito. No novo regime, o princípio é: imposto pago, crédito gerado.
Como o pagamento do tributo pelo fornecedor é garantido pelo sistema financeiro no ato da compra, o crédito do adquirente é liberado de forma praticamente automática no seu "conta corrente" fiscal. Isto elimina o risco de a fiscalização glosar (anular) créditos sob a justificativa de que o fornecedor não recolheu o imposto.
4. Modalidades de Split Payment
De acordo com a regulamentação (Lcp 214/2025), o sistema operará em diferentes frentes:
Split Padrão: Ocorre quando há a vinculação direta entre o pagamento e a nota fiscal.
Split Simplificado: Aplicado em operações de retalho ou onde a identificação item a item é complexa, utilizando percentuais médios para a retenção no checkout.
Ajuste na Apuração: Se o valor retido via split for superior ao devido no mês (após a compensação de créditos de entrada), o contribuinte terá direito ao ressarcimento célere do excedente.
5. Impactos no Fluxo de Caixa
Este é o ponto de maior atenção para os gestores financeiros. No modelo atual, as empresas recebem o valor total das vendas e só pagam os impostos no mês seguinte. Com o split payment:
O fornecedor deixa de "gerir" o dinheiro do imposto entre o dia da venda e o dia do vencimento da guia.
O capital de giro precisará ser recalculado, pois o valor que entra na conta bancária será apenas o valor líquido.
Conclusão
O split payment não é apenas uma ferramenta de combate à evasão; é o motor que viabiliza a não cumulatividade plena. Para as empresas, o desafio prático imediato é a adaptação dos sistemas de tesouraria e faturamento para lidar com recebimentos líquidos e a monitorização em tempo real dos créditos gerados no ambiente de apuração assistida.
Artigo de:
Anderson Souza